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A mostra é uma proposição das plataformas Explode!, Lanchonete.org e Lastro, em colaboração com mais de 50 artistas, pensadores e coletivos brasileiros

No dia 06 de novembro, terça-feira, o Museu da Diversidade Sexual, administrado pelo Governo do Estado de São Paulo através da organização social de cultura APAA, inaugura a exposição “Textão”. Por meio de textos, apresentados em diferentes linguagens e suportes, são abordados temas que partem da experiência dos corpos com as cidades e suas manifestações estéticas e políticas, com um olhar de quem não deseja participar do jogo do patriarcado, da branquitude, da centralidade geográfica e da heteronormatividade. A mostra é fruto da colaboração entre artistas e coletivos brasileiros de diferentes localidades.

“Textão” fica em cartaz até 12 de janeiro de 2019, a entrada no museu é gratuita e a classificação indicativa é 14 anos.

Texto curatorial:
A palavra textão é uma expressão comumente utilizada pelas comunidades negras, feministas e LGBTQIA+ brasileiras. O artifício do textão costuma ser acionado quando pessoas dessas comunidades sofrem algum tipo de agressão. Nesse momento é sentida a necessidade de uma tomada de posição frente a um determinado fator social gerador de opressão. Essa fala ou texto são normalmente endereçados a pessoas cisgêneras, majoritariamente homens, brancos, heterossexuais e com alto poder aquisitivo, para lembrá-los de seus privilégios e da posição específica que ocupam dentro de um sistema colonial violento, pautado em marcações de classe, raça, gênero e sexualidade.
São trabalhos que nos trazem, por meio do texto e suas diferentes performações – na música, na poesia, na performance, no campo acadêmico, nas mensagens políticas, nas experimentações gráficas, no vídeo e até mesmo nas conversas cotidianas –, diversas perspectivas e falas que se cruzam, divergem e expandem as maneiras de pensar e experimentar o mundo hoje. Um mundo que nos obriga a lidar, simultaneamente, com fortes regimes de precarização, como aqueles vividos nos museus públicos do país, e a necessidade de continuar se movendo.
Acreditando no poder mobilizador da palavra, especialmente manifestada por vozes que foram historicamente silenciadas, o espaço expositivo se utiliza de estratégias virais de reprodução dos textos e pensamentos desses participantes. Busca, assim, contaminar o centro e as extremidades da cidade, a partir da encruzilhada onde se situa o museu. Encruzilhada entendida, assim como o textão, como ponto crítico e campo de possibilidades, em que uma posição, em determinada direção, deve ser tomada.

Programação sujeita a alteração.

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